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Uma reflexão sobre a brasilidade

author: Artemis date: August 29, 2010 tags: , , , ,


Hoje (28/08) eu e o Martin participamos da ótima palestra do Éter ao Apocalipse, ministrada por Eduardo Spohr e Raphael Draccon, discutindo sobre tudo o que compreende a construção de um roteiro de todos os tipos. Dentre os diversos temas tratando desde arquétipos de personagens até como publicar um livro, uma coisa que mais me cutucou e que achei pertinente trazer como discussão para cá foi a seguinte citação:

“… um movimento exclusivamente brasileiro é o preconceito por aquilo que é novo. Hoje o brasileiro aceita romances e mistérios normalmente, mas existe um preconceito forte para com temas de ficção. Muitas vezes nossos livros são confundidos com livros estrangeiros, e no final o leitor se surpreende ao descobrir que o autor era brasileiro…”

Eu não poderia concordar mais com esse comentário. O que vemos hoje, mais do que nunca, é uma vontade do brasileiro demonstrar toda a sua “brasilidade” de todas as formas possíveis, e na maioria das vezes isso vem através da expressão cultural (livros, filmes… games) e isso faz com que surja um tipo de afastamento de tudo aquilo que vai contra esse movimento, um nacionalismo barato que serve mais para alienar do que para dar força.

O grande ponto que estou tentando levantar aqui é que podemos ver que no momento que um autor tenta criar, independente do tipo de mídia, um tema que não é vinculado a cultura “tipicamente” brasileira, esse autor é massacrado como resposta. É incrível ver o apoio cego à produtos ruins simplesmente por compreenderem essa temática sem nenhum cuidado com o resultado final senão o de “espalhar” essa cultura.

Como desenvolvedores de jogos temos sempre que pensar o que nosso público espera, e com pouco tempo ja podemos perceber que um jogo do boi bumbá não é a resposta para essa pergunta. Aprender a usar toda essa cultura brasileira, que definitivamente é muito rica, como uma forma de inspiração e não simplesmente como uma forma a mais de se expor.

Finalmente, o que temos que pensar é como trazer os elementos de nossa cultura sem modificar ou limitar a temática, ainda nas palavras dos palestrantes, “Uma pesquisa não deve nunca te limitar”, e isso é algo que deve ser levado em conta sempre, independente do país ou cultura em que você se encontra encaixado.

Hoje vimos muitas coisas interessantes, ainda vou falar outras coisas sobre elas, essa foi apenas a que me tocou mais. Mais do que nunca, vamos parar e refletir até que ponto a “brasilidade” nos ajuda.

cateogories: Arte, Game Design

28 Responses to Uma reflexão sobre a brasilidade

  1. Gilliard Lopes

    August 29, 2010 at 11:03

    Confesso que já senti na pele esse preconceito. Na época que trabalhava no Taikodom, havia muitos "fãs" que achavam ser uma obrigação introduzirmos elementos da cultura brasileira no universo ficcional.

    A questão levantada pelo Artemis é bem interessante. Em outros posts e podcasts discutimos a enorme importância da formação cultural para o profissional de entretenimento, e na minha opinião essa formação não pode ser de forma alguma dirigida ou limitada por questões externas, como o nacionalismo.

    Veja a China como exemplo: durante décadas seu povo não teve acesso a filmes, livros e games extra-nacionais. Ícones como Star Wars e Superman foram plagiados, adaptados às restrições culturais do país e regravados com atores locais, obviamente resultando em qualidade pífia. Hoje, depois da abertura do país, está bem documentado o déficit cultural gritante da população chinesa, dificultando inclusive a criação de empregos e negócios de entretenimento e cultura no país. Claro que o exemplo da China é extremo, e longe da realidade do Brasil, mas acho que nos serve de aviso.

    Acredito que as influências das obras lidas, assistidas ou jogadas pelo autor serão sentidas de maneira natural no seu trabalho, independentemente do subject matter escolhido. Fazer um game sobre o Negrinho do Pastoreio não é a única maneira de fazer jus à história, e nem a mais eficaz na minha opinião. Se essa história de fato representa algo pro autor de forma mais profunda, sua influência vai aparecer naturalmente no resultado final; forçar a barra simplesmente para "fazer jus" à brasilidade não faz sentido pra mim.

    No fim, a classificação das obras quanto à nacionalidade não tem nenhuma correlação com o que realmente importa: sua QUALIDADE. É preciso acabar com essa "síndrome de Policarpo Quaresma" que só faz impor limites à altura que os nossos vôos culturais podem alcançar.

    Leitura recomendada para quem quer um belo exemplo de trabalho de ficção de qualidade, no qual o autor brasileiro não precisou pegar temas nacionais emprestados para, mesmo assim, fazer sentir sua brasilidade:

    BERALDO, J. M. "Véu da Verdade". Rio de Janeiro: Eridanus Books, 2005. ISBN 8590534219

  2. Rodolfo (bigNfanboy)

    August 29, 2010 at 14:01

    Temos que ver também o lado do consumidor brasileiro de games, que, simplesmente não consome produtos "abrasileirados".

    Já aconteceu de uns clientes meus não comprarem o StarCraft 2, simplesmente por estar em português. A série Halo também sofre dessa "xenofobia gamer".

    Portanto, ao menos quando o assunto é games, trazer a coisa toda pra uma intenção de nacionalizar tem se mostrado um tiro pela culatra.

    Afinal, qual de vocês já terminou Capoeira Legends?

  3. Glauber

    August 29, 2010 at 14:20

    O Japão aprendeu a lidar com temas ocidentais da maneira deles, construindo qualidade e identidade. O melhor exemplo disso é a franquia Resident Evil: a jogabilidade exata, "quadrada", o desenvolvimento por fases, o drama melodramático no enredo, as falas curtas e fortes (e algumas toscas até, pro nosso paladar haha) até um pouco da direção de arte. Tudo isso sem ter que apelar pra ninjas, samurais, Tokyo e o idioma japonês.

    O que o brasileiro, desenvolvedor e consumidor, tem que aprender é que para tornar algo brasileiro, não está na roupagem, mas sim na essência. Só olhar comercial de cerveja: serviria muito bem como comercial americano-californiano, com praias, sol, mulheres, gente bonita e álcool. Yet, eles conseguem deixar a essência brasileira, na malandragem, no papo e nas sacadas humorísticas.

    O próprio Roger Tavares da Gamecultura diz que CaveDays é um jogo essencialmente brasileiro, e poxa, o jogo é sobre homem das cavernas batendo em dinossauros!

  4. Gilliard Lopes

    August 29, 2010 at 14:57

    @Rodolfo No caso do cliente que não comprou StarCraft II, o game foi DUBLADO em português? Nesse caso, sinceramente, também não compraria…

    Agora sobre o Capoeira Legens, fora o Glauber não conheço mais ninguém que terminou…

  5. Gilliard Lopes

    August 29, 2010 at 14:58

    *Legends

  6. Rodolfo (bigNfanboy)

    August 29, 2010 at 15:59

    @Gilliard

    Mas qual é o problema? A dublagem ficou boa.

    Em outros países, os jogadores acham absurdo a falta de localização.

    Porque só no Brasil tem que ser diferente.

  7. Gilliard Lopes

    August 29, 2010 at 16:37

    O problema é não ter a chance de ouvir o voice acting original do game, ainda mais sendo StarCraft 2. Os jogos de estratégia da Blizzard têm sempre voice acting super divertido, com frases que viraram referência e sempre aparecem nas rodinhas de amigos gamers. Na versão dublada, você perde isso, sem falar que nunca vi dublagem de game nenhum em português ficar com qualidade nem perto do voice acting original.

    Quem não se lembra do Peasant de Warcraft III falando: "More work? *sigh* all right…"? Ou do "SCV good to go, sir!" e "You want a piece of me, boy?" no Starcraft original? Pra mim, o game sem essas pérolas perde boa parte da graça.

  8. Rodolfo (bigNfanboy)

    August 29, 2010 at 19:31

    Meu cunhado é fãzaço da franquia e disse que curtiu e muito a dublagem nacional. Que eles tem umas sacadas bem bacanas também tipo: "Oba! Hora extra!" e outras falas engraçadas que eu não me lembro agora.

    E sei lá, acho um pouco egoísta essa visão de que o jogo não pode estar em português.

    Se agente quer ver as massas consumindo de verdade os games no Brasil, a barreira da linguagem ser quebrada é algo de suma importância.

    Por exemplo: no kit nacional do xbox360, acompanham dois jogos que, sinceramente, se estivessem em português seriam de grande ajuda na hora de vender um aparelho. Mas como os jogos são em inglês, Banjo Kazooie e Fable 2 são pesos mortos na hora de vender um aparelho.

    Do ponto de vista mais radical da coisa, ele até atrapalha, porque o cliente sempre supõe que, se os jogos não estivessem no kit, o aparelho seria mais barato.

  9. Gilliard Lopes

    August 29, 2010 at 20:12

    Concordo com os teus pontos, mais ainda prefiro que se resolva esse problema com legendas ao invés de dublagem. Pelo menos pra mim, voice-acting é uma parte fundamental da experiência, então sempre prefiro o original.

  10. Glauber

    August 29, 2010 at 20:16

    Eu também acho que os jargões que viram memes Internet à fora são uma parte legal de se jogar com a dublagem original, "I hate vans" que o diga. Mas sou totalmente a favor de termos esse tipo de cultura aqui, tanto pra incentivar uma cultura gamer mais forte, como para valorizarmos as localizações.

    Joguei Worms 2 por 1 ano inteiro dublado em português, quando joguei o Armageddon em inglês achei tosco, sem graça e mal feito. Sério, preferi deixar em russo, o sotaque pelo menos era engraçado. Não só isso, mas hora ou outra você ouvia alguém na roda do colégia soltar um "Graças a Deus!" ou "Pega essa!" com a voz fininha da minhoca.

    Esse negócio de preferir o original é puta frescura, desculpa aí. A dublagem brasileira é incrível e as adaptações, quando criativas ("Tá querendo treta, muleque?" em SCII), nos fazem sorrir, imediatamente virando meme interno.

  11. Glauber

    August 29, 2010 at 20:17

    E nada a declarar sob Capoeira Legends, como sempre.

  12. Rodolfo (bigNfanboy)

    August 29, 2010 at 21:10

    Acho que a solução mais simples seria dar mais de uma opção ao consumidor.

    Audio e legendas na língua do país lançado e a do país de origem.

  13. Gilliard Lopes

    August 29, 2010 at 21:35

    Pois é, essa seria a solução perfeita. Assim ficam satisfeitas as minhas frescuras e as do Glauber.

  14. Gilberto Tensai

    August 29, 2010 at 21:45

    Essa "brasilidade" realmente esta ainda muito forte nos consumidores e alguns criadores das mais diversas mídias. Lembro que no processo de criação do primeiro jogo do meu grupo, nosso orientador falavam muito de colocar uma "tribo" e "elementos que fosse atrair o publico", ignorando fatores mais importantes da jogabilidade e cortando nossa liberdade criativa em fazer algo único.

    PS: Vi vcs lá na palestra, ia falar pessoalmente para elogiar o blog mas vcs desaparecerão rsrsrs.

  15. Rodolfo (bigNfanboy)

    August 29, 2010 at 21:54

    Apenas pra constar, acho muito legal o Gilliard e o Glauber virem aqui responder aos posts. O Artemis também aparece de vez em quando, mas ele me responde mais por email mesmo. Mas e o Martin? Deixa os posts aqui e some… Apareça! XP

  16. Glauber

    August 29, 2010 at 23:07

    O Artemis é gordo, então peguem leve (entendeu? RÁ). Já o Martin é o grandessíssimo. Sim, esse mesmo, de três letras.

  17. Léo

    August 29, 2010 at 23:37

    Quando li o post lembrei do Capoeira Legends, q na minha opinião, foi um fail (só joguei a demonstração e a versão do filme "Besouro").

    Engraçado que pela internet o jogo muitas vezes é visto como o "melhor jogo brasileiro ja produzido" e vejo comentarios em blogs, o pessoal falando que "Poxa é nacional caramba, muito orgulho" ou até msm ignorancias como "primeira vez q o Brasil faz jogos"… Tipo… Incidente em Varginha, Outlive, Ferias Frustradas do Pica-Pau, tudo é brasileiro, e bem melhor diga-se de passagem…

    Mas pra voltar ao assunto, ainda usando Capoeira Legends como exemplo, é um jogo com tematica da cultura brasileiro? Sim, só por isso tem brasilidade? Bem… sim e não… quero dizez, pow legal, capoeira, Brasil, uhul (?). Mas o que isso representa realmente? Algo que vamos colocar, 1% da população pratica? Tirando a temática, não ha nada de brasileiro no jogo. Nem expressão o personagem tem. =.=

    Brasilidade na minha opinião é simplestem o popular "jeitinho brasileiro" é algo que realmente, grande parte da população tem, que todos identificam (generalizando). O Glauber (acho que foi ele sim) citou o ótimo exemplo dos comerciais de cerveja. Outro bom comercial são os da Havaianas, acho geniais.

    O pessoal falou da dublagem, realmente o ideal seria ter a opção de escolher, infelizmente não é o caso no Starcraft II. Eu jogo Age of Mythology dublado… e é triste.

    Uma coisa que me lembrei nessa discussão toda, é a presença da brasilidade em dublagens, eu lembrei do trabalho do Guilherme Briggs (dublador do Cosmo, Padrinhos Mágicos, Frekazoid, o lemure de madagascar), eu acho muito legal como ele passa o jeitinho brasileiro para o personagem, eu pessoalmente sinto uma diferença grande, comparando com as versões originais. Pego Naruto, por exemplo, ja não vejo essa diferença.

    Outra coisa que lembrei, ainda na dublagem, foi Yu Yu Hakusho na Manchete, poxa o estadio em torneios gritava "Ah eu to maluco!!", tinha frases usadas aqui como "To na área, se derrubar é penalti", "Qual é? Ta me estranhando?" Sei la, meio que sai um pouco do assunto do post, mas eu pessoalmente vejo + brasilidade nisso, do que Capoeira Legends que trabalha um tema nacional.

  18. Rodolfo (bigNfanboy)

    August 30, 2010 at 05:56

    @Glauber

    Seja lá quem for o Martin, ele que assine Martin pra gente saber ué… :p

    @Léo, Martin, sei lá.

    O Briggs realmente é um dos mehores (se não o melhor) dubladores do Brasil.

    Legal você ter citado o exemplo de Yu Yu Hakushô como adaptação. Esse animê marcou minha infância. A adaptação do mangá também ficou excelente, vale dar um conferida.

    Agora uma coisa, vc sabia que o dublador do Yusuke, Michael Kyle e outros tantos por aí, também é o narrador em Viva Piñata?

    E o dublador do Dean em Supernatural ( outro bem dublado) é o personagem principal em Halo 3: ODST?

    Tem muita gente qualificada dublando jogos para o Brasil. O mercado ( e o consumidor) é que não valoriza esse grande trabalho em prol da massificação dos games no Brasil.

    Outra coisa – Capoeira Legends:

    Nunca vi e nem tive vontade de ver o jogo rodando, apenas ouvi falar. O engraçado é que, jogos nacionais, bons ou ruins são de difícil acesso ao brasileiro. O FreekScape é um bom exemplo.

    Me lembro até hoje de ter ficado num hype imenso de um jogo nacional que ganhou o XNA Challenge ou Imagine Cup, eu acho. O City Rain. Tipo, adoro puzzle games e a premissa do jogo me deixou bastante interessado.

    Outro jogo que me deixou no hype foi Incidente em Varginha, depois de ter lido uma matéria na EDGE se eu não me engano, falando do marco que o jogo foi para o desenvolvimento de games no Brasil.

  19. Martin

    August 30, 2010 at 06:46

    @Rodolfo

    Sempre que eu respondo, respondo com meu nome mesmo. Tem algumas discussões que eu não gosto de me meter.

    Mas nessa eu quero.

    Acho que, neste tópico, estamos falando de duas coisas diferentes. Jogos/temas brasileiros e a recepção por produtos brasileiros, que é o que o Artemis falou no post.

    Sobre tradução: não concordo com o Glauber. Mas acho que esse tema é puramente pessoal. Sempre tive facilidade com inglês. E, na minha adolescencia, português não era opção. Logo, acustumei com inglês. Hoje em dia, prefiro inglês. Ponto.

    A tradução do SC2 ficou ruim? Não. Mas ficou tosca. O nome dos elementos ficaram ruins. As frases ficaram ruins. A personificação ficou ruim. Eles transformaram os caipiras de lá nos caipiras daqui, e são dois tipos de caipirias MUITO diferentes. Ficou sem graça. Mas isso é minha opinião.

    A unica resposta é dar opção ao jogador.

    Sobre jogo brasileiro e temática brasileira. temos que ter cuidado. Eu tenho a mesma opinião do Léo. Capoeira legends teve temática brasileira, mas parou por aí. Acho ridículo as pessoas quererem "um jogo brasileiro" só por querer. Tem que ser alêm disso. Tem-se que abordar padrões ou problemas que caracterizam o brasil. City rain foi relativamente eficaz nisso.

    E, sobre o tópico em sí, temos que assumir que o problema existe. Entretenimento e ficcção não são bem vistos no país. São coisas de criança, coisa de gente fútil. Mas são tópicos de extrema importância para o desenvolvimento humano. Tem que existir. O fato de um brasileiro fazer isso, só prova o quanto somos capazes. Agora, se você vê o trabalho, e vê com preconceito, porque é brasileiro, você está apenas contribuindo para a ignorância cultural do país, e engolindo/aceitando culturas externas.

    E o contrário também é verdade. Se você lê uma obra e acha foda só pq é brasileira, você também está errado. Acho que temos que ler de tudo, ver todos tipos de filmes, jogar todos os jogos, e criticá-los independente de sua origem. Se o autor é brasileiro, tem-se que dar apenas mais notoriedade pelo ato dele ter criado, e não pela criação em sí.

  20. Artemis

    August 30, 2010 at 07:22

    @Traduções

    Concordo com o que foi falado sobre as diversas opções de linguagem, mas temos sempre que pensar no custo disso. Será que fazer esse tipo de adaptação para o público brasileiro realmente compensa pelo retorno que você vai ter com seu jogo? Eu sinceramente acho que não, então, os estúdios que fazem essa localização provavelmente optam pelo que vai funcionar melhor para essa "massificação" que o Rodolfo está falando. Com certeza um jogo dublado (independente da qualidade da dublagem) vende mais no brasil que um completamente em inglês.

  21. Rodolfo (bigNfanboy)

    August 30, 2010 at 07:35

    @Martin

    Ate que enfim, hehe

    Mas aí, nesse caso de existir a adaptação, acho que ela sempre deve vir acompanhada da versão do país de origem. A não ser que a obra seja da Ucrânia, por exemplo.

    Quanto a essa questão de obras de ficção brasileiras não serem bem aceitas, acho que isso se deve mais a falta de personalidade de alguns autores. Quando Harry Potter explodiu, apareceram alguns livros que se vendiam como parecidos. Do mesmo jeito que tá lotado de livros de vampiros vs lobisomens hoje, e de livros sobre símbolos e enigmas que são encalho da última moda.

    Em compensação, os livros que tinham mais "brasilidade" em seu conteúdo não eram sobre o curupira e o boitatá.

    Qualquer livro do Luís Fernando Veríssimo ou o Memórias de um Gigolô do Marcos Rey são exemplos forte de obras que nos trazem essa identificação de ser brasileiro sem apelar pra mula-sem-cabeça ou saci-pererê.

    O duro é que isso não arrebata o grande público.

    Aliás, acho que os únicos livros de ficção que vingam no Brasil, são os que têm em seu rodapé escrito : "Ditado por [insira aqui um nome artístico de uma alma penada]".

    PS.: Se me convidar pra um podcast do DJers, eu te arranjo esse livro do Marcos Rey pra vc ler. Livro esse que é muito foda por sinal. [chantagem/suborno mode off]

  22. Jão

    August 30, 2010 at 08:40

    Isso me lembra a questão das dublagens em geral, mas ESPECIALMENTE entre os fãs mais bitolados de anime, que acontece mais ou menos assim:

    "DUBLAGEM É JOÃOPONÊIS É MOOOOITO MELHOR QUE É INGLEIZ/PORTCHUGUEIS RAWRAREAWRA"

    Tudo bem, as vezes as dublagens realmente são ruins. Mas 90% da galera que diz isso é simplesmente porque não entende japonês. O que não se entende é muito mais fácil de parecer melhor. Muito do pessoal que diz isso de filmes americanos cai no mesmo conto. Claro que tem também os que preferem o original legitimamente, porque vai pegar as piadas que se perdem ou seja lá o que for.

    Também acho Worms II melhor em português – mas acho que foi uma das poucas dublagens de jogos felizes.

    A gente tem (ou tinha?) uma puta tradição em dublagem de qualidade muito muito boa mesmo – talvez uma das melhores do mundo – em desenhos animados. As vozes do desenho dos anos 90 dos X-Men eram IDÊNTICAS as originais, só que falavam em português e as vezes até com atuação melhor. Alladin da Disney, até o desenho toscão do Mega Man americano também.

    Agora em jogos, além de Worms, não achei nada muito agradável – talvez porque pouca coisa se duble, dando menos espaço pras coisas boas acabarem entrando na jogada, mas eu lembro de um jogo do Drácula em português que tinha aqui que pelamor. Age of Mythologies também era bem sofrível. Não gosto de Harry Potter, o que me faz meio suspeito nessa afirmação, mas a voz do Ash no jogo também foi foda, no sentido ruim da coisa.

    Sobre a brasilidade em si, comentários muito interessantes mesmo aí em cima. Acho que a posição do Martin é a mais saudável: independente do país de origem, do autor, da distribuidora, de qualquer coisa, a pergunta principal é:

    Presta? É bom? Eu gosto? O resto é resto. Não faz sentido comparar Nausicaa e Naruto só por que os dois são japoneses. Ou Capoeira Legends com Freekscape.

  23. Rodolfo (bigNfanboy)

    August 30, 2010 at 08:51

    Nausicaä… To com ele pra assitir a um tempo. É ruim trabalhar demais =/

  24. Flavio Meibach

    August 30, 2010 at 15:35

    A Grande Arte é duca!

  25. Cesar

    August 31, 2010 at 12:16

    Um grande exemplo são os livros do André Vianco, que sao muito bons mas por ser brazuca o pessoal evita

  26. Jão

    August 31, 2010 at 12:42

    Eu evito o André Vianco porque "E seu braço foi decapitado" me fez crescer preconceito, nada com ele ser brasileiro.

  27. Flavio Meibach

    September 1, 2010 at 11:01

    Hahahaha, precisa de muito talento pra decapitar um braço!

  28. Adriano

    September 3, 2010 at 07:43

    Embora bem atrasado, aqui vai o meu comentário:

    Me recordo do jogo Rivem: a sequência de Myst para o Sega Saturn, onde a dublagem estava muito boa, embora houvessem poucas falas no jogo. Eu gosto de ver jogos dublados, mas concordo com o fato que muitas vezes a tradução e a dublagem erram justamente na localização que tentam fazer, porque traduzir não é trocar "looking for" por "olhando para", mas sim trazer a ideia, o conceito para o português brasileiro, bem é isso.

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