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Os primeiros passos do artista

author: Glauber date: October 21, 2010 tags: , , , , ,

O Artemis já falou de game design, o Martin já falou de programação… E eu nunca falei de arte – não pelo menos tecnicamente (note a ausência de link). Em mais de um dos podcasts eu falo que artista faz isso, artista é aquilo… Começa aqui, começa assim… “P**** Glauber, nomeie as coisas!”. Tá bom!

Um artista de jogos é aquele que detém tanto a teoria quanto a técnica em níveis suficientes para lidar com projetos variados. O que isso quer dizer? Não precisa ter mestrado em Artes Visuais ou desenhar tão bem quanto o Renato Guedes, muito menos conseguir imitar o estilo de todos os designers do mundo à fora. Basta ter o básico, com uma camada de curiosidade e uma pitada de criatividade. Como todo artista está em constante aperfeiçoamento e progresso – pelo menos espera-se – é inevitável, depois de alguns projetos, acabar decidindo no que se especializar. Mas a questão é: como um artista entra no desenvolvimento de jogos?

I’ve got skills!

Sim, por mais estranho que pareça, é muitíssimo normal um artista começar com a técnica antes da teoria. Porque desenhar, todo mundo desenha desde criança. E quem almeja trabalhar na área com certeza já fez seus trabalhos com mídia tradicional (grafite, lápis de cor, giz, nanquim etc.), ou já esboçou algo no Photoshop ou Maya/3DS Max. Já fez trabalhos amadores como cartazes de show da banda do colégio/faculdade, pintou um desenho digitalmente… Legal, você está treinando, ganhando experiência e prática. Mas é o suficiente? Não.

Um dos aspectos técnicos mais importantes de ser um artista de jogos é saber lidar com limitações, sejam elas “físicas” ou conceituais. Nem todos seus produtos vão aceitar imagens de 2mb. Nem todas as engines vão aceitar milhares de polígonos ou iluminações especiais. Os programadores não precisam saber posicionar todos os frames da sua animação ou o framerate dela. Você deve estar disposto a aprender essas coisas, e para fazê-lo com maior facilidade, é preciso estar acostumado a fazer as coisas com limitações. Imponha-se limites: faça um talher com 30~50 polígonos, um alienígena de exatas 5 cores, uma animação engraçada com 2 frames.

Em suma: o desenhista que sabe fazer uma maçã com uma cor, sabe fazer com dez. O inverso é estupidamente mais difícil.

Anunciando a rainha, a teoria

Você já domina as técnicas, resta saber como aplicá-las. O melhor jeito de aprender a teoria é como todo mundo aprende: lendo livros – a parte legal é que livro de artista costuma ser ilustrado [ insert coolface here ]. Deixe as bíblias, as teses e as pesquisas para depois, comece com coisas como “Fundamentos do Design” (para aprender a alinhar elementos) ou “Teorias das cores” (para combiná-las do jeito “certo”) ou, para os desenhistas, “Anatomia humana” e “Perspectiva” (para, bom, saber desenhar alguém em algum lugar).

Porque para saber desenhar um Cavaleiro das Trevas, você precisa saber desenhar um homem e texturizar metal; para saber fazer um Main Menu, você precisa saber mostrar para o jogador o que é um botão e o que é texto informativo; para saber provocar medo no jogador, você precisa saber sobre cores frias; para saber… Entendeu?

Ah, já era… Não sei desenhar, manolo!

Não precisa! Leia novamente e note como apenas os exemplos falam de desenho. Como disse, basta ter experiência técnica em alguma coisa, QUALQUER coisa; complementar com teoria e não esquecer de ser criativo. Não sabe desenhar? Talvez você seja bom em design, gosta de tipografia, texturas, formas geométricas. Ou desenha uns rabiscos, mas gosta de animá-los, dar vida aos personagens. Ainda recomendo dar seus pulos no desenho, nem que seja para dialogar com outros artistas – o que é bem provável que aconteça, já que trabalhar com jogos é trabalhar em equipe… E para achar um game designer que saiba desenhar é fácil, fácil.

 

Esse é um post que pretendo enriquecer com o tempo, então, se você é artista e quer ingressar na área, pergunte, questione, cutuque e responderemos nos comentários, agregando sempre ao corpo dessa postagem.

cateogories: Arte

4 Responses to Os primeiros passos do artista

  1. Gilliard Lopes

    October 21, 2010 at 11:56

    Não sou artista e nem pretendo ingressar na área tão cedo (mas sou profundo admirador). Mesmo assim, posso comentar? =P

    Glauber acerta em cheio quando fala em saber lidar com limitações. Impossível enfatizar suficientemente esse ponto. É ISSO que faz toda a diferença entre o amador e o profissional (estou falando de artistas DE GAMES). Já vi muitos artistas ultra-talentosos e empolgados em trabalhar com games, mas que não desenvolveram essa habilidade, preferindo assumir uma postura de "eu faço assim e pronto". Sinto muito, mas todo esse talento acaba não tendo lugar na indústria de games, é um desperdício de oportunidades para o próprio artista.

  2. Gustavo

    June 30, 2011 at 21:11

    Bom gostei muito do post!
    Faço faculdade de Design integral e tenho que lidar com projetos de todas as áreas, como; gráfico, produto, interface, animação, enfim de tudo mesmo. E tive matérias como desenho e geometria, bom infelizmente acho que ainda falta desenvolver melhor minhas técnicas (mas n é sobre isso q quero falar). Tendo que lidar com esses trabalhos de diferentes áreas e sempre pensando em games eu vejo que apesar da arte ser importante em qualquer que seja o trabalho vale a pena citar que, dependeno o trabalho e em qual fase esta há um tipo certo de arte necessaria. Sim um sketch que se explica por si só pode ser bem melhor que um desenho realmente fabuloso em alguns momentos! Então realmente vale mais a ideia do que saber desenhar como um Da Vinci (mas ele era completo!).

  3. Glauber

    July 1, 2011 at 01:32

    Bem lembrado, Gustavo! Uma idéia vale muito mais do que um desenho bem feito. Já tive a experiência de juntar idéias de um artista com a técnica de outro, o resultado foi excelente!

  4. viviane

    November 6, 2011 at 09:38

    meu sonho sepre foi ver voces e trabalhar como vocese queria que isso fose realizado

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