
Narrativa mais importante que gameplay? Mesmo?
Em uma entrevista para o site videogamer dia 28/07, o cofundador da Ninja Theory mandou que a história é mais importante que gameplay. Tá bom, não foi exatamente assim, ele mesmo disse não acreditava na importância da história até fazer Heavenly Sword e que, se você está fazendo um jogo baseado em história, então a história é o mais importante.
Essa briga não é nova o que há de consenso, se podemos chamar assim, é que as duas coisas são importantes, então é bom os narralogistas e ludologistas se darem as mãos. Mas o que levou um veterano como Tameem (e não só ele como muita gente da indústria) chegar à essa conclusão?
Na minha opinião, é porque é mais fácil vender uma história do que vender um conceito de gameplay, especialmente um novo, a qual ninguém tenha sido exposto ainda.
Pessoalmente, eu acredito que a narrativa num game é só mais um elemento, como cada asset de arte é, por exemplo, mas é inegável que é ela (como a arte) que engaja o jogador num primeiro momento.
Eu espero que essa tendência venha a diminuir, que a narrativa desça desse pedestal e acredito que o futuro trará essse balanço, porém é fácil também ver que certamente o cara da Ninja Theory está levemente enviezado. O primeiro jogo deles, Kung Fu Chaos não tinha lá uma grande história, apostava numa pegada mais lúdica, uma lutinha mais casual e saiu para o XBox (não o 360). Não vendeu lá tanto mas era um momento em que ainda não se dava tanto valor pro casual (ninguém tinha jogado wii sports ainda) e o jogo não teve muito marketing.
Quando eles lançaram Heavenly Sword a Microsoft estava ainda no primeiro ano do 360 e ajudou a alardear que “seu console tinha agora o seu God of War”. Lógico que heavenly sword, que tem mais foco na narrativa, vendeu muito mais. Mas na minna opinião, nessa história acho que foi muito mais um caso de bom timming com Heavenly Sword. Se hoje fosse lançado um Kung Fu Chaos 2 e um Heavenly Sword 2 eu certamente colocaria meu dinheiro no Kung Fu, acho um jogo muito mais divertido e com um excelente replay value, mas pode ser porque eu já fui exposto a essa jogabilidade específica.
cateogories: Arte, Desenvolvimento, Game Design

Yuri
July 30, 2010 at 10:37
Ok, sei que história é importante para jogos. Mas também discordo (parcialmente) que seja mais importante que gameplay.
Se a história fosse o mais importante, ninguém teria jogado RiverRaid, PacMan e Enduro. Por sua vez, estes jogos não seriam conhecidos e muito menos seriam usados para debater tópicos como este.
Agora se o jogo em questão é um RPG ou algo que o valha (Phantasy Start/Final Fantasy) a história é importantíssima. Jogos que tangenciam gêneros RPGísticos como o God of War, vejo a ambientação mais importante que a história e o gameplay mais importante que a ambientação.
… conclusão: vai de gênero do game.
Dudu Maroja
July 30, 2010 at 10:38
O ideal é sempre o equilíbrio, mas há sempre casos e casos, um jogo de enredo simples, como Mario Galaxy ainda encanta por conta do seu gameplay mágico! junto com a nintendo, a valve é outra empresa meste em vender conceito de gameplay! estai jogos com histórias simples como Portal, L4d, Alien Swarm!
E claro que bom enredo consegue se segurar em um jogo, vide os jogos da série Ace Attorney, que praticamente não tem gameplay!
o ideal é ser como Uncharted! não precisa ser uma história nem gameplay complexa, mas ambas cativam o jogador!
Dudu Maroja
July 30, 2010 at 10:42
Ps: Sobre o ultimo trecho do texto
Heavenly Sword é um exclusivo do Ps3! o Xbox só foi ter um "god of war" com Dante's Inferno!
Ivan Garde
July 30, 2010 at 11:13
Verdade Dudu, obrigado pela correção! Mancada minha, isso que dá escrever o texto de madrugada. Heavenly Sword recebeu uma boa ajuda de marketing foi da Sony mesmo, já que foi o primeiro "grande lançamento exclusivo" Lembrava que rolou a comparação forte com God of War e um bosst de marketing pela exclusividade do título, mas trocar Sony com Microsoft foi feio.
Mas a idéia do texto é a mesma, Heavenly Sword não tem nada de muito novo em gameplay, mas foi muito mais fácil de vender pela presença da história e de como isso é marketeável.
Léo
July 30, 2010 at 19:37
Acho que o único estilo de jogo que a história "merece" um pedestal é o RPG.
Admito que a muito tempo não pego um RPG para jogar, muito tempo MESMO, mas vamos la, antigamente o sistema dos jogos de RPG eram praticamente iguais: por turno, onde vc escolhia as ações e tals, ou em tempo real, tipo zelda, e eram "básicos".
Pelo menos pra mim, o que prendia era a história, porque de gameplay era tudo "igual", acho que ninguem ficaria comprando jogos diferentes pra jogar da mesma maneira. E ai a história ganhava destaque, ela era a responsável por prender o jogador.
Como exemplo da pra citar Chrono Trigger com uma história be m grande e que tinha seu final alterado dependendo de como você chegava ao final do jogo, o que dava vontade de jogar + uma vez e ver outro final e, fazer isso de novo e de novo.
Glauber
July 30, 2010 at 21:02
Eu acho distcutível a necessidade de uma história num jogo de RPG. Tudo bem que as próprias origens do gênero tem como base uma narrativa, mas a partir do momento em que o gameplay ganha mais valor, a narrativa/história pode descer um pouco desse pedestal.
Usando o mesmo exemplo de Chrono Trigger, jogo que admiro muito: o sistema de batalhas é consideravelmente diferente de FF (é por turnos mas é mais orgânico, os inimigos se movem na tela e isso influencia seus ataques, cada um possui sua barrinha de velocidade etc.). Na época eu achei genial e não pensei duas vezes pra zerar o jogo, ver todos os finais E alcançar o nível máximo com todos os personagens. Mais do que ver os finais diferentes ou o resto da história, EU QUERIA JOGAR MAIS.
Eu queria derrotar aqueles chefes estupidamente apelões, melhorar meus personagens, pegar itens raros. Não vou negar que se não fosse a história do CT, ele não seria o mesmo jogo… Mas posso afirmar que me divertiria tanto quanto sem ela.
Outro exemplo seria aquele alternativo Half-Minute Hero, onde a história é bem simples, resumido numa premissa, alguns avanços de história e pequenos plot-twists.
Que é basicamente o que é o Final Fantasy de hoje: uma premissa de universo e personagens centrais, desenvolvimento da história e alguns plot-twists legais e o encerramento. O resto é pura encheção de linguiça.
Léo
July 31, 2010 at 11:58
Eu entendo seu ponto, mas ainda assim discordo, não acho que a história desça um pouco do pedestal devido ao gameplay desenvolvido, acho que simplesmente é um atrativo a mais.
Eu pessoalmente não achei o sistema de batalha de Chrono Trigger algo tão chamativo assim, muito bem desenvolvido realmente, mas nada ao me ver que se possa falar: "oooohhhh!!", continuava sendo basicamente uma batalha por turno como outra qualquer.
Claro que meu comentario trata de algo pessoal, e sem falar que Chrono é um jogo que chama atenção em todos os aspectos.
Mas claro, isso é opinião pessoal, você falou que se divertiria da mesma forma caso não houvesse história, eu por outro lado abandonaria o jogo e procuraria outro. A graça do RPG na minha opinião é justamente a narrativa.
Você citou jogos com histórias "normais", posso falar de FF, q cheguei a jogar um de PS2, não lembro exatamente qual, mas não foi algo que eu classificaria de divertido.
Verdade é que o gosto de cada um influencia muito, tenho um amigo que jogo Chrono Trigger e o Cross ignorando completamente a história, não lia falas nem nada, só andava e descobria as coisas, checava a net se ficasse perdido e tals. Eu nunca conseguiria isso.
Comparando com o mesmo amigo, eu estava jogando Cold Fear a um tempo atras, gostei bastante do jogo, passei para ele, ele jogou um dia e parou, porque estava com Resident Evil 5 no computador e nas palavras dele "Pow gráfico feião o jogo q vc me passou." Cold Fear é algo tipo Resident Evil 4 em gráficos. Eu não ligo para gráficos, ele por outro lado, se importa e muito (e não falo isso por esse exemplo somente).
Eu procuro boas histórias no RPG, e jogo os mesmos quando isso é oferecido.
Rafael "Barry&q
July 31, 2010 at 12:36
Opa, engano aí! O sistema de Chrono é altamente baseado em FF sim, pois os capítulos IV, V e VI, que usam o Active Time Battle, vieram antes dele.
Agora, RPG que não tem história muito definida é Dragon Quest. É um dos únicos jogos que, assim como Demon's Souls e Pokémon, sinto como se EU fizesse parte do mundo, como se a história fosse criada por MIM. "O que será que tem depois daquela montanha?" "E se eu seguir por esse outro caminho?" "Onde vai dar essa caverna?" "Onde vou conseguir o cálice?" etc.
Esse é um mal da maior parte dos RPGs, pois é muito mais como se você acompanhasse um grupo de personagens, sem nenhum controle sobre o destino deles, apenas batalhando de vez em quando. E isso é extremamente perigoso, como em FFXIII, no qual a história é horrível e toma tempo demais do jogador.
Pra um jogo ser fortemente baseado em história, e assim podermos até relevar alguns aspectos da gameplay, a história tem que ser MUITO BOA ou cativante, como é o caso de Silent Hill 2, Killer 7 e Yakuza.
Glauber
August 1, 2010 at 11:37
Xô reformular: Chrono Trigger tinha um sistema diferente dos FF que eu tinha jogado/visto desde então :)
E concordo com o Rafa, é muito mais precioso "mudar o mundo" do que "apertar os botões certos para a história avançar".
Por isso acho que jogos que, caso tirássemos a história, não mudariam em nada seu gameplay. É assim com Dead Space, Half-Life 2 e Braid, cujas histórias mirabolantes podem ser ignoradas para se divertir.
Léo, o ponto não é se você gosta ou não. Ponto é que a história nos jogos deve ser uma adição, não uma NECESSIDADE. Antes de mais nada, antes de contar uma história, o jogo deve divertir. Ou você jogaria um jogo chato só porque a história é genial? Mais fácil ler um livro.
Léo
August 1, 2010 at 15:44
História pode ser adição em vários jogos, mas no RPG é uma necessidade sim, não existe RPG sem uma. O básico do RPG é isso, desde que foi criado.
O RPG deve causar o q o Barry falou +ou-.
E sobre jogar algo chato pela história genial? Provavelmente não realmente, mas baseado no mesmo ponto não consigo jogar um RPG com gameplay legal se não tem uma história boa. Melhor ler um livro ? Realmente, mas os jogos estão ae para proporcionar diversão e isso varia sim de cada pessoa. Depende muito do que cada um gosta/procura em um jogo.
Ivan Garde
August 1, 2010 at 20:11
Eu gosto do modo como a série Elder's Scrolls lida com o elemento narativa: A história está lá, se te faz feliz você segue a main quest line, se não, tem milhares de outras coisas para fazer ao longo do jogo pra fazer até se decretar é o suficiente.
É incrível o número de jogadores que simplesmente aproveita o jogo perseguindo outras coisas que não a história principal. É como acho que deve fucnionar, a história é um asset que vc pode escolher dar mais ou menos atenção e não (suspiro) unskippable cutscenes….
Mas discutir isso, no final das contas é igual discutir se letras nas músicas são importantes ou se são válidas como poesia, cai no gosto, mas felizmente a indústria de música consegue (mais ou menos) atender ao dois gostos.