
Lords of Shadow devia ter sido um Devil May Cry
Finalmente, joguei até o final o excelente jogo de aventura Lords of Shadow, da desenvolvedora espanhola Mercurysteam. Tem um pouco de terror, num estilo bem comum encontrado em qualquer portfolio de “artistas” sem criatividade que repetem pela milésima vez um desenho de um ogro, uma aranha ou um lobisomem. Tudo padrão, mas muito bem executado e finalizado. Nada no estilo gótico-futurista-medieval como encontramos na série Castlevania. Nada misturando castelos em ruínas com lasers e armaduras retorcidas cheias de pontas e curvas brilhantes, ou cabeças de medusa com olhos acesos voando no interior de uma torre de relógio ao mesmo tempo mecânica, orgânica e labiríntica, enquanto se ouve de fundo uma mistura de heavy metal, música clássica e música barroca.

Cenário familiar, monstro familiar
As músicas em Lords of Shadow também são muito bem feitas, parecem trilha sonora de filmes épicos como Lord of the Rings. Fazem jus aos cenários também realistas. Reais até demais. Florestas, pântanos, castelos europeus. Tudo muito real. Lembrando locais do nosso planeta filmados para um filme; diferentes dos cenários absurdos, surreais e belíssimos imaginados e criados pelos artistas japoneses da Konami, impossíveis de serem filmados.
Até mesmo a dublagem de Lords of Shadow é digna de um filme de Hollywood. Não tem nada daquelas vozes retorcidas, meio metálicas e meio ácidas de uma série de games, por exemplo Castlevania. LoS não tem os diálogos de um simples game, nada que lembre um jogo ou um mundo paralelo. Tudo parece uma peça de teatro, uma novela, algo do mundo real.
Tudo isso é um magnífico feito técnico, mas não transporta o jogador a um mundo paralelo e intrigante como é feito em certos games. Transporta-o a uma situação paralela à sua vida, com personagens que ele nunca encontraria no dia-a-dia, mas numa realidade familiar e “comum” ao seu senso de percepção.

O ator Patrick Stewart é o narrador do jogo. Sério.
Infelizmente, isso tudo que foi entregue em LoS, por melhor que seja como game, não devia ter sido embrulhado em uma caixinha escrito “Castlevania”. Esse nome só serviu para me decepcionar pouco a pouco. Cada vez que eu iniciava uma nova fase, ou encontrava uma nova situação, eu pensava “agora vai! Castlevania!” e ficava decepcionado. O que deveria ser uma nova fase empolgante de um game muito acima da média se transformava imediatamente em “apenas mais uma fase não-castlevania”. Pra quem está esperando um Castlevania depois de cada pedacinho do cenário, o jogo nunca “decola”. O maior problema é que talvez mais de 50% do que define um game da série Castlevania, e consequentemente agrada a seus fãs, é o “estilo Castlevania”. A arte, as músicas, a ambientação. Não simplesmente um cara matando monstros.

Não adianta simplesmente colocar uma armadura vermelha
Talvez o pessoal da Mercurysteam tenha perdido a oportunidade de iniciar sua própria franquia “ação-terror” de sucesso, como por exemplo aconteceu com Devil May Cry e a Capcom, anos atrás.
Até mesmo as “magias” são muito mais pé-no-chão do que deveriam. Você tem um sistema básico de magia negra / magia branca que influencia seus golpes durante o combate, e só. Nada de Dark Metamorphosis ou Soul Steal, ou nada das magias de Shanoa. Nada da chuva de água benta de Richter. Apesar disso, o sistema de magias influenciando os golpes ficou, mais uma vez, muito bem feito e fluído.

Difícil explicar o que define o estilo Castlevania
Outra coisa que mudou foi o andamento do jogo. Você não está em uma aventura do começo até o final sem parar, com alguns diálogos surpresa apresentando a história aos poucos. LoS é apresentado na forma de capítulos de um livro. Você termina uma fase, recebe uma página de texto imensa com um narrador de fundo. Passa outra parte do jogo, acaba mais um “capítulo” de jogo com ranking, pontuação, etc, e recebe outra imensa página de texto com narrativa. Isso se repete umas 30 vezes até o final do jogo, sem mudar. Na minha opinião, quebrou um pouco a imersão e continuidade da aventura. Você é constantemente lembrado de que está jogando fases de um jogo e ganhando pontos.
Agora, deixando as comparações de lado: no geral, o maior “defeito” que encontrei é que jogo é muito bem produzido e polido até demais. Isso deixa o jogador mal acostumado a ponto de, quando um leve deslize da equipe desenvolvedora se deixa transparecer, quando um defeitinho fica evidente, o jogador facilmente se revolta e fica inconformado por alguns segundos. Porque comparado ao resto, aquele defeitinho vira uma atrocidade, uma coisa muito tosca. Por exemplo, durante o jogo todo você pode cair de certos lugares ou plataformas que representam um risco, e precisa manter sua atenção aos comandos, e isso é bom porque é um desafio. Em outras plataformas que são apenas uma passagem de cenário, você não pode cair, e isso é muito bom, porque seria idiota você morrer naquela parte. Tudo isso faz sentido. Só que em um certo momento numa certa fase, você precisa simplesmente saltar de um lugar a outro no cenário mas a colisão com o seu chão é tão porcamente implementada e mal-feita que só de tentar se posicionar, você fica caindo feito um idiota e morrendo, como se atravessasse uma fenda no piso. Em um momento que não faz sentido! Pequenos detalhes em algumas situações como essa se sobressaem muito num game bem produzido como LoS. Coisa que escapou durante os testes de qualidade.

Olha! Grotesco! Tem uma imperfeição ali!!
Outra coisa que não posso deixar de dizer: durante minhas primeiras 5 horas de jogo, eu tinha odiado o fato de os desenvolvedores considerarem os jogadores como idiotas. A cada 10 segundos aparece no topo da tela alguma mensagem com o que você deve fazer. Coisas do tipo “abra o portão usando a alavanca” ou “desvie do ataque do boss usando L2 e depois ataque com quadrado”. Isso chegou a um ponto em que estava ridículo, o jogo ficava mandando você seguir ordens, e não te deixava pensar. Apesar de isso ter durado tempo demais, eventualmente foi se amenizando bastante. Até o final do jogo, essas frases nunca chegaram a parar, mas ficaram muito mais espaçadas e o jogo conseguiu ficar legal e não-intrusivo. Só acho que ao invés de 5 horas de tutorial forçado, podia ter sido uma meia hora.
Dito tudo isso, espero que esse meu texto tenha uma grande utilidade aos futuros jogadores de Lords of Shadow: Joguem esse jogo. Eu recomendo, mesmo. É muito, muito bom. O sistema de combate é dos mais fluídos que já vi. As fases são muito envolventes e o jogo como um todo é um ótimo desafio, claramente criado por amantes de games. A história é bem legal, e o deixa curioso para continuar. O jogo todo tem um certo carisma, um apelo que eu particularmente preferi muito mais do que o de God of War e seu Kratos revoltado. Terminei o jogo em quatro sessões de várias horas cada uma.
Jogue, aproveite, e não espere encontrar Castlevania em momento algum. Curta Lords of Shadow, ou “Project Mask” como era o verdadeiro nome do game antes de ser comprado pela Konami. Não espere nada de Castlevania durante o jogo, até os créditos finais.
Como esse foi um game “pronto” e comprado, agora minha esperança é de que o pessoal da Mercurysteam tenha ganho confiança da Konami, e começe a produzir do zero um Castlevania de verdade, como próximo lançamento deles, trazendo elementos familiares da série ao nível técnico de LoS. Resta saber se o ego dos espanhóis vai se submeter ao desejo ardente dos fãs de Alucard e Cia. Sim, por favor!

Parece que o duelo vai ter que aguardar

Anônimo 1
October 26, 2010 at 10:16
[ Moderação: O comentário abaixo estava no nome de "Roger Tavares", mas sabemos que esse não é o verdadeiro autor ]
Ó veja bem… Na minha humilde opinião vocês vem falando uma porção de merda a um bom tempo, e com esse post não pude me conter. Pesquisem um pouco mais e PENSEM um pouco antes de falar pois vocês tem uma grande responsabilidade nas costas e estão denegrindo a mídia.
Anônimo 2
October 26, 2010 at 10:25
[ Moderação: O comentário abaixo estava no nome de "Luís Carlos Petry", mas sabemos que esse não é o verdadeiro autor ]
Boa Roger, é realmente indigno tratar os games dessa forma tão barata e sem graça. Pesquisem um pouco. Pensen na responsabilidade nas costas e estão denegrindo a mídia.
Game é coisa seria, game é vida game é ARTE.
Anônimo 3
October 26, 2010 at 10:34
[ Moderação: O comentário abaixo estava no nome de "Dori Prata", mas sabemos que esse não é o verdadeiro autor ]
Críticas representam a sublimação do homem junto à arte. Game-arte é nada mais que uma intransigência de idéias perante o coletivo imaginitivista segundo Immanuel Kant. Doravante, nada é perpétuo, no que dizer de vampiros, quanto mais do CLÃ BELMONT.
Lord of Shadows devia ter sido um Devil May Cry? Efêmero.
Philip Mangione
October 26, 2010 at 10:49
1 – Gente, quando um novo álbum do Metallica não agrada aos fãs de Metallica, os fãs que FIZERAM a banda crescer e acontecer, e esses fãs chiam ou dizem que "está com boa qualidade mas não é Metallica", eles também estão errados? Só porque um bando de novos moleques compra o álbum e dá dinheiro para a gravadora? Por favor respeitem uma opinião de quem cresceu a vida toda jogando Castlevania, e não sejam agressivos chamando de "merda".
2 – E apesar de tudo, se não têm muita capacidade de discernimento, posso deixar mais claro ainda o que escrevi no texto: Lords of shadow é um excelente jogo com pouquíssimas falhas.
3 – Outra coisa, não precisam "tratar bem" qualquer grande lançamento de game só porque é de uma empresa grande ou de um grande nome. Não precisam bajular ninguém, eles não estão nem aí pra vocês, não faz diferença.
4 – "Pesquisem um pouco"??? Eu joguei TODOS Castlevanias a vida toda, trabalhei como reviewer de games durante anos e atualmente estou na indústria nacional.
5 – Mais uma vez para quem não se deu ao trabalho de entender: não é LITERAL o que digo do Devil May Cry… eu digo que deveria ter sido uma nova série de games, e não tentar se agregar ao nome Castlevania.
6 – Próxima vez que qualquer um falar que "Beatles sim que era bom", eu espero que repensem, joguem fora tudo o que achavam que gostavam na música deles e passem a ouvir Restart, afinal, é a nova arte e devemos cegamente respeitar. É isso?
Marcelo de Assis
October 26, 2010 at 10:58
Acho que o Roger e o Luis não leram o artigo. Eu achei o texto ótimo, estou só aguardo o meu LoS chegar, pra confirmar se isso é verdade.
Roger Tavares
October 26, 2010 at 11:05
É tudo FAKE gente, algum aluno da PUC que deveria estar assistindo aula e não usando o nome da gente pra difamar os outros.
(acho q é aluno da PUC por conhecer eu e o Petry. se não for, me perdoem).
Administradore, por favor, MODEREM. Apaguem, pls.
Philip Mangione
October 26, 2010 at 11:08
Marcelo, com certeza você vai curtir. Eu mesmo estou com aquela pontinha de vontade de jogar de novo. E sobre o Roger e o Petry, são comentários fake, já confirmamos isso.
Rafael "Barry&q
October 26, 2010 at 11:24
É muito fácil identificar trolls…
Os quatro primeiros comentários foram ditos em menos de 20 minutos, praticamente com o mesmo estilo de texto. E com certeza ABSOLUTA o Roger Tavares não escreve mal daquele jeito, é só ler qualquer coluna dele na Edge.
Esse discurso vazio de acadêmicos igualmente vazios não deveria nem ser levado em consideração. Na real, parece muito com o que certo designer de jogo "nacional" costuma escrever…
Glauber
October 26, 2010 at 11:30
Bom, não sabemos a origem dos primeiros comentários, mas preferimos não apagá-las. Quem sabe até sejam da mesma pessoa.
Ao(s) anônimo(s): por que se esconder? Estamos abertos a críticas, sugestões e eventuais discussões. Vamos conversar, quem sabe seja melhor para ambas as partes ;)
Ao resto, vamos retomar a discussão! Eu nem terminei de ler o post ainda hahaha
Dudu Maroja
October 26, 2010 at 11:37
Eu respeitosamente descordo de tudo o que foi dito, pra mim foi bom um volgo voltar ao classico do jogo, e fugir um pouco da arte atual do casltlevania que pra mim ja estava enjoando, apesar de eu gostar demais dos Metroidvanias ( os ultimos do DS me decepcionario justamente por não serem metroidvania e por ser apenas cum copy past do resto )
não é facil pra mim adimitir que Simphony of the Night, um dos meus jogos favoritos de todos os tempos, é uma viagem maluca, cheia de doideiras e coisas que sempre achei que não se encaixam com o universo do jogo.
O que eu acredito que esse "retorno" ao basico da arte jogo ( vale lembrar que castlevania do NES e SNES não tinham as bizarrices do ps1 pra frente ) vai ajudar a série se situar em um universo 3D, coisa que a série nunca conseguiu fazer, talvez por que simplesmnte em um mundo 3D aquelas bizarrices ao estilo Simphony of the night simplesmente ficariam "tosca" em vez de diferente!
Dudu Maroja
October 26, 2010 at 11:41
Ps: meu comentário não é fake não, simplesmente não concordo com a opinião do autor do texto
so acho que o jogo esta mais para os jogos do SnesNes que do Ps1 pra frente!
Dudu Maroja
October 26, 2010 at 11:43
ps3: não reparem nos erros de português, teclado de netboob é foda
Glauber
October 26, 2010 at 11:51
@Dudu
Fica tranquilo que a gente sabe, tecnicamente, saber se é você mesmo ou não hehe Acabei de ler, mas comentarei construtivamente mais tarde, mas adianto que concordo em muita coisa que você disse ;)
Philip Mangione
October 26, 2010 at 13:17
Eu havia respondido o comentário do Dudu, mas por alguma razào ele não está aqui. Bom, era algo do tipo:
Dudu, concordo com você sobre os gráficos da série estarem divididos antes/depois de SoTN. E também concordo que gráficos menos "fantásticos" e mais convencionais sejam um ponto forte para se adaptar o game para o 3D. Eu mesmo defendia essa idéia quando ainda não tinha jogado o jogo completo, somente a versão demo. Você está 100% correto nisso.
Mas e as músicas características da série, e as criaturas, as magias de Castlevania? E a tradicional história da série toda, do castelo de Dracula que reaparece a cada 100 anos? Tudo que sempre esteve presente desde o NES, só mudando o visual? Não tem nada disso em LoS. Praticamente nada. O que tem, é quase sempre pura coincidência (por exemplo, tem floresta, tem ruínas, tem noite, tem faquinhas).
É o que eu disse, o game estava "pronto" e foi comprado pela Konami. Não estou inventando isso, é fato. E isso transparece.
A série poderia sim voltar aos ambientes de terror tradicionais presentes nos primeiros Castlevanias, para facilitar uma versão 3D atual, mas mesmo assim, esses primeiros Castlevania têm algo de estilo que não está presente em LoS.
Algo simples que lembrei agora: Em todo Castlevania você destrói candelabros, lustres, velas etc e consegtue itens. Em LoS, nunca. Detalhes que fazem um nome..
Rafael "Barry&q
October 26, 2010 at 15:03
Grande parte desse sentimento vem da arte. O visual e a música não são góticos o suficiente, não têm a fantasia A MAIS necessária. Só a música épica não cola, só o visual bem feito não cola.
Danilo Ganzella
October 26, 2010 at 20:07
Olha eu baixei o demo, joguei o jogo 5 minutos, achei que parecia mais um god of war do que um castlevania logo na mecânica inicial (tendendo muito mais a mecânica de ação do que a de rpg). Achei a primeira luta chata, os comandos e ações não eram interessantes (quem é o cidadão que acha que vamos decorar 300 movimentos?).. e logo o ponteiro para o inicio do binário do jogo foi removido da tabela de endereçamento de arquivos do sistema de disco da hd do meu ps3.
Marcelo de Assis
October 26, 2010 at 22:23
Uma dúvida, "fora do jogo", que parte teve a KOJIMA PRODUCTIONS na produção desse jogo?
Dudu Maroja
October 27, 2010 at 11:07
Danilo, Castlevania sempre foi um jogo de ação. a partir do ps1 foram acrescentados elementos de evolução de personagem, mas nem por isso a série é RPG, se fosse RPG eu não jogaria, por que nem tenho paciência pra RPGs.
castlevania sempre foi basicamente um jogo de Ação!