
Estamos diante de uma nova era do Desenvolvimento de Games?
Coisas estranhas estão acontecendo na indústria de games atualmente. Grandes empresas, que antes lançavam quatro jogos por mês, agora lançam apenas um por ano, ou menos. Mais e mais sequências inundam feiras e estandes. Jogos que custavam 10 milhões ontem hoje custam de 40 a 50 milhões. Patches e conteúdo online passam a ser necessidade. E desenvolvedores consagrados saem de suas empresas por diversos motivos.

RE5 com certeza foi bem mais caro pra fazer do que RE4, mas será que a falta da mente criativa de Shinji Mikami não foi o ingrediente que faltou para fazê-lo tão revolucionário quanto o 1 e o 4?
E é exatamente este último ponto que tem me chamado a atenção nestes últimos tempos. A impressão que me dá é que game designers com capacidade – principalmente japoneses – têm ficado cada vez mais insatisfeitos com as políticas internas de empresas que sugam todo o potencial de seus funcionários para terem o lucro revertido apenas para si mesmas, sem uma compensação real. E não estou doido, pois vimos o próprio Masahiro Sakurai (Kirby, Meteos) dizer isso em nossa matéria especial de Smash Bros..
Dentre outros exemplos, cito Hideki Kamiya (Devil May Cry, Viewtiful Joe, Okami), Tomonobu Itagaki (Dead or Alive, Ninja Gaiden), Shinji Mikami (Resident Evil 1 e 4, Dino Crisis), David Jaffe (God of War, Twisted Metal), Tetsuya Mizuguchi (Sega Rally, Space Channel 5, REZ, Lumines), Suda Goichi (Killer 7, No More Heroes), Hironobu Sakaguchi (Final Fantasy, Lost Odyssey)… todos eles saíram de suas respectivas empresas para ou fundar uma nova ou se unir a uma mais independente.
Dessa bagunça toda, acho que uma coisa boa vai surgir: jogos de game designer. “Mas isso já não era feito?” Podem perguntar vocês. Sim, mas a ideia que tenho é outra: jogos passarão a ser valorizados por causa do criador, e não mais por causa das empresas. Algo como o que acontece nos “filmes de diretor”, como os de Hitchcock, Kubrick e Kurosawa.
Até hoje, muita gente ainda pensa algo como “Mega Man é da Capcom”, “Castlevania é da Konami”, e não “Mega Man é do Keiji Inafune, produzido pela Capcom” e “Castlevania é de Koji Igarashi, produzido pela Konami”. Claro que não estou entrando nos méritos dos direitos de propriedade (copyright), que é um outro assunto polêmico que merece uma outra matéria só pra eles, mas são poucos os game designers que sabem se destacar para o grande público, como Shigeru Miyamoto de Mario e Zelda e Hideo Kojima de Metal Gear e Snatcher.

Talvez mais do que “um jogo da Platinum”, Bayonetta seja conhecido como “um jogo do mesmo cara de DMC, Hideki Kamiya”
O que acho que acontecerá em breve é que as grandes empresas passarão a contratar game designers especificamente para fazerem seus jogos, ao invés de escondê-los nos créditos atrás de sua enorme logo. E isso já acontece de certa forma, como a Nintendo chamando Sakurai para fazer Smash Brawl. Kamiya, por exemplo, está fazendo Bayonetta pela Platinum, da qual é co-fundador, mas quem disse que no futuro a Capcom não pode chamá-lo novamente para reinjetar um gás em Devil May Cry, que já dá sinais de cansaço?
[ Este post foi originalmente publicado no blog Warpzona em 20/08/2009, mas algumas recentes mudanças na indústria, tal como as apontadas em um post aqui no Double Jump, bem como a contratação de Shinji Mikami pela Bethesda e a saída de Keiji Inafune da Capcom, atestam que o assunto ainda é relevante, e provavelmente veremos isso acontecer mais vezes daqui pra frente.
Observem que naquela época eu já achava que a Capcom precisaria injetar um gás em Devil May Cry :) ]
cateogories: Desenvolvimento, Indústria

Fernando Secco
November 4, 2010 at 13:15
Mas sera que isso nao se aplica a todas as areas?
Por examplo, depois de virar famoso na franquia Final Fantasy Hironobu Sakaguchi (abriu sua propria empresa e agora eh quase que propaganda fazer jogos com musicas do cara), todo mundo sempre fala do proximo jogo do John Carmak. Ate mesmo com escritores como foi o caso do Akira Toryama, escritor do Dragon Ball Z, astros e atletas (que sao os protagonistas de alguns jogos). Um caso mais estremo pra mim eh o voice acting, como eh o caso do Fallout 3 aonde o Malcolm McDowell fez misseria.
Acredito que as pessoas fazem isso pois todo mundo que se destaca e cria um nome acaba sendo uma forma de marketing para a franquia.
Rafael "Barry&q
November 4, 2010 at 14:35
@ Fernando
Na minha opinião, vemos pouco isso na indústria de games ainda. Nós, que acompanhamos as notícias, sabemos quem é Kamiya, Molyneux, Jaffe, mas a maior parte do público só conhece o Miyamoto (e acha que todos os jogos da Nintendo são dele) e olhe lá. O nome da empresa sempre vem antes de qualquer outro.
Já o Sakaguchi foi algo bem diferente. Ele foi um dos primeiros a se desligar da empresa, mas por motivo diverso. Após o sucesso de FFVII, a Square passou a bancar o ambicioso filme Spirits Within, que custou 120 milhões de dólares (algo bem alto, pra época, pro Japão e principalmente pra uma empresa de games e a Sony). O filme foi um fracasso e quase levou a Square à falência, obrigando-a a se fundir com a Enix. Sakaguchi teve o cargo rebaixado, não tendo mais muito controle sobre a série, até se desligar da empresa.
Engraçado, o cara responsável por levar a Square do nada até o topo com Final Fantasy, quase a apagou do mundo com o mesmo título. Esse é o poder de um bom developer. Talvez por isso não arrisquem tanto, haha.
Rogerio
November 9, 2010 at 15:31
Acho que a maioria deles acaba se desligando das empresas principalmente por perderem a identidade deles, as vezes eles deixam de ser escutados por causa do foco em lucro, o exemplo claro, foi aquele cara[sim, eu nao lembro o nome dele, nem de onde ele é] q se desligou de uma grande empresa, e foi para uma menor por causa do processo de criação lá ser mais “aberto”.
Rafael "Barry" Ventura
November 9, 2010 at 17:10
@ Rogerio
Vários desses que citei fizeram isso. Mizuguchi, de Space Channel 5, por exemplo.