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DLCs: até onde vai o abuso?

author: Glauber date: November 18, 2010 tags: , ,

Há alguns dias, a Capcom Unity anunciou a versão especial de Marvel Vs. Capcom 3, com besteiróis extras como adesivos, artbook (que pelas imagens oficiais até agora, não valeria muito a pena), assinatura de HQ online (nem sabia que isso existia) e, o principal de tudo: Jill e Shuma Gorath, dois personagens extras.

Talvez pra quem não tem o costume de jogar jogos de luta não saiba ou não perceba, mas um personagem no elenco de um jogo desse gênero é um acréscimo e tanto, como até mencionei antes: além de custar caro para fazer – modelar, animar, dublar – pode quebrar todo o balanceamento do jogo. Quando colocamos alguns personagens à venda, teoricamente, só alguns terão acesso ou disponibilidade de adquirí-los. Logo, só esses terão o privilégio de jogar com eles.

“Mas qual o problema?” – você pergunta. O problema é justamente esse: não deveria ser um privilégio.

Temos 2 extremos nessa comparação, e o caso da gostosa Jill/monstro com tentáculos que os japoneses adoram Shuma Gorath é o meio-termo, que por acaso, é ruim: um extremo é termos algo como as roupas extras do Super Street Fighter IV ou os chapéus do Team Fortress 2 que não alteram em nada a jogabilidade (e que no segundo caso, podem até ser encontradas no jogo gratuitamente, apenas de forma mais difícil); o outro é termos uma experiência totalmente nova como Red Dead Redemption Undead Nightmare ou os diversos updates de Borderlands. O primeiro é puro cosmético, enquanto o segundo pode até virar um jogo à parte. Tirar uma parte do jogo e disponibilizá-los numa compra separada – que é o que estão fazendo no MvsC3 – não é nem um, nem outro.

É como os packs que a Activision lançou para o Modern Warfare 2 por US$15: nada mais que mapas novos! Entregam experiências novas, mas não o suficiente para ser um jogo novo, que poderiam muito bem ter entrado no jogo inteiro. Pode até ser pior (tomara que não): o conteúdo adicional gerar desequilíbrio na jogabilidade, como o Delorean fez no Burnout Paradise, avantajando os abonados.

Tudo por causa de que?

É um assunto inclusive que Jonathan Blow, criador de Braid, abordou em seu keynote na SBGames desse ano – e que discutimos no nosso último podcast – sobre evitar fazer algo “do mal” nos jogos, aproveitar-se do jogador. Eu mesmo compraria sem pensar duas vezes caso anunciassem o Jin Saotome pra DLC, mas no fundo me sentiria enganado e forçado a pagar mais. Não é um sentimento que eu gostaria de ter ao ligar um jogo.

Então, Jill, pode esperar sentada, enquanto eu fico aqui com a Trish. De graça.

(dispensa desenhos, NSFW)

cateogories: Mercado

13 Responses to DLCs: até onde vai o abuso?

  1. Mongeff

    November 18, 2010 at 12:42

    E o pior, provavelmente (ou melhor, certeza) que esses dois personagens estarão JÁ dentro do disco, você terá que pagar para acessar essa parte do disco (Assim como em Bioshock dois ou algumas roupas extras de sfiv). Sou contra a pirataria e não tenho e nem compro jogos piratas, mas isso me rovolta (e não só a mim) tanto que gostaria de ver hackers pirateando essas DLC’s que já existem em discos e as liberando gratuitamente (como elas já deveriam vir de fábrica) para todos os usuários. ISSO É UM ABSURDO, UM ABUSO ao público gamer.

  2. Rubens Brilhante

    November 18, 2010 at 13:22

    Acho que você só abordou a parte ruim desse DLC.

    Ter a opção de adicionar um personagem a mais em um jogo de luta é muito bom.

    Acho melhor isso que lançarem um jogo idêntico ao anterior com meia dúzia de personagens a mais pelo preço de um novo jogo.

    E não tem como dizer que era um conteúdo pronto que propositalmente foi deixado de fora.

    Não tenho o jogo e tb não compraria esse DLC.
    Talvez se fossem outros personagens…

    Não vejo isso como algo “do mal”.
    Acho até um exagero pensar assim.

  3. Glauber

    November 18, 2010 at 13:48

    @Rubens
    Como disse, a inserção de um personagem novo “… pode quebrar todo o balanceamento do jogo”, como o exemplo que citei do Delorean no Burnout. Isso é inaceitável num jogo de aspecto competitivo.
    É como qualquer arma nova que a Valve coloca no TF2: eles passam por intensos processos criativos e de testes para ter CERTEZA que a arma nova não trará desequilíbrio na jogatina. Lembre-se: qualidade > quantidade.

    A presença desses dois personagens na lista ANTES dele lançar, ressalta a preocupação de deixá-los equilibrados com o resto do jogo, logo também indicando a existência deles na suposta versão completa. E hoje em dia é muito fácil descobrir se o conteúdo já veio no disco/download e está apenas travado via software.
    Mas mesmo descartando o aspecto físico, conceitualmente, esses dois personagens, assim como os mapas do MW2, poderiam muito bem entrar no release normal. Por que não? E por que cobrar por só esse conteúdo? Grana.

    Se fosse, sei lá, um novo modo de jogo, lançado alguns meses depois, quem sabe até por sugestão do público, eu entenderia. Mas assim, na cara larga, junto ao lançamento? Definitivamente não.

    Achar que é um exagero pensar que é algo “do mal”, e ainda depois de ter lido o texto, é ser superficial, na minha opinião :/

  4. Léo

    November 18, 2010 at 13:49

    O q eu achei ruim foi deixar 2 personagens “de fora” do jogo, sendo que o mesmo não foi lançado ainda. Assim, pelo menos eu, comprando a versão normal, me sentiria com um jogo meio que incompleto.

    Acho válido e legal disponibilizar novos personagens por downloads em Marvel vs Capcom 3, porém, + adiante, depois que o jogo tiver sei la, 6 meses, 1 ano no mercado. MvsC não é como Streer Fighter por exemplo, onde saem versões super, hiper, etc… que colocam + personagens.

    Também não vejo isso com algo “do mal”, anunciar os 2 disponiveis em uma versão especial foi o que não gostei.

  5. Glauber

    November 18, 2010 at 14:02

    Para quem não ouviu o Podcast #20, vale uma lida no que o Jonathan Blow quis dizer com “jogos do mal”:

    http://www.kotaku.com.br/conteudo/farmville-e-do-mal-diz-criador-de-braid-no-sbgames-2010/

  6. Rubens Brilhante

    November 18, 2010 at 14:40

    @Glauber
    Entendi o que você disse no post.
    Só que lembrei de uma propaganda.
    “Pode ser.. pode ser muito bom”
    Isso de pode ou não quebrar eu acho um comentário superficial.

    Lógico que seria melhor se esses 2 personagens estivessem na versão inicial.
    Não acho uma boa estratégia que esse DLC seja anunciado antes do lançamento do jogo.

    Mas ter DLCs que aumentem o número de personagens jogáveis em um jogo de luta.
    Poxa. Eu acho isso muito bom.

    Cobrar por eles acho algo aceitável.

    Agora eu quero personagens feitos sem qualidade? Não.
    Todos os personagens que forem lançados? tb não.

    Agora dizer que a decisão estratégica é por grana.
    Lógico que também é.
    Mas certamente tem outros fatores.

    E não vejo isso como sendo “do mal”.
    Precisaria de análise melhor.

    Fico triste é com você me chamando de superficial.
    Será que isso não foi uma atitude má?

  7. Glauber

    November 18, 2010 at 16:47

    Como assim “poder quebrar o jogo” é superficial? É uma hipótese válida, baseada em casos anteriores, um deles inclusive exemplo que citei duas vezes (Delorean, Burnout). Realmente não entendi.

    Você já viu algum jogo de luta lançar um personagem novo pro elenco? Depois que o jogo foi lançado? Eu nunca. Deve ser por um motivo: equilíbrio competitivo. Mesmo o polêmico lançamento de Super Street Fighter IV é justificável só pelos novos personagens e os pequenos ajustes no gameplay. Mas complicado mesmo é deixar usar os novos só quem pode PAGAR por eles.
    Quer um exemplo? Supondo que eu não compre a Jill. Daí vou participar de um capeonato. Treino com meus melhores lutadores e estudo a estratégia de todos os outros. No campeonato, eu encontro alguém usando a Jill. Como eu nunca tive ela no elenco, como vou prever estratégias e contra-atacar a altura se eu nunca lutei contra ela? É injusto. Por isso qualidade > quantidade, no caso.
    (lembrando que esse ponto em específico condiz com jogos de luta)

    Cobrar por DLCs é aceitável porque a empresa gastou dinheiro fazendo. O problema é que o conteúdo extra, no caso, já está pronto no jogo TERMINADO. É justo tirar uma parte do final do jogo e cobrar depois, separadamente, como fizeram com Assassin’s Creed II? Sendo que ele ESTÁ LÁ fisicamene? Não. Isso é, disfarçadamente, aumentar o preço do produto. E isso é “do mal”.

    Reforço a indicação da leitura do post na Kotaku BR sobre o keynote do Blow, ou ouvir o nosso podcast #20.

    Falei que foi superficial pois foi uma impressão minha. Não confunda: não foi uma ofensa, mas sim uma crítica. As minhas, pelo menos, não são de má índole e são construtivas, no mínimo justificadas, NUNCA gratuitas.

  8. Diego "Nailo" Cichello

    November 18, 2010 at 21:34

    Glauber, entendo sua revolta e até concordo com você. Mas tem um ponto que pode ser até valido no mundo competitivo desse jogo. Eles podem muito bem ir liberados patches que vai adicionando todos os personagens voce comprando ou não, ou seja, para jogar com eles você vai ter que gastar uma grana porem, nada te impede de quando voce tiver treinando online, teu adversário escolher aquele lutador que ele comprou, então voce teoricamente não ficaria tao defasado assim em nao conhecer o gameplay daquele char especificio. O que voce acha?

  9. Gilliard Lopes

    November 18, 2010 at 22:06

    @Nailo Imagino que o exemplo do Glauber até possa ser resolvido da maneira que você falou (no caso específico de um personagem novo em um jogo de luta). Mas isso ainda não resolve o problema mais genérico de competitividade quando cada jogador pode ter uma versão diferente do conteúdo dependendo da grana que ele gastou.

    Por exemplo, participei de campeonatos de Rock Band onde só valiam músicas que saíram no disco original do jogo, justamente por esse motivo.

    Acho o ponto da competitividade muito válido, mas nem é o principal problema na minha opinião. DLCs estão começando a ser utilizados de forma abusiva, muito provavelmente devido ao sucesso que esse tipo de comercialização de conteúdo vem fazendo. Espero que o mercado consumidor seja o árbitro dessa questão, não comprando os DLCs que não adicionam nada fundamental, que deveriam na verdade ter sido parte do jogo original. Enquanto houver gente comprando, os publishers vão continuar achando que estão fazendo a coisa certa.

  10. Glauber

    November 18, 2010 at 22:28

    Pois é, Gilliard, tu acertou. Também no fato do post ser desvirtuado, mas um assunto leva a outro, creio eu :)

    Mas são coisas desse tipo com que me preocupo. Poxa, acabou de lançar Fallout: New Vegas e já tem DLC anunciado? Isso já estava feito, equipe nenhuma faz isso em menos de 2 semanas, creio eu.

  11. Gilliard Lopes

    November 18, 2010 at 22:48

    Certamente. Posso afirmar pra você com convicção que TODO jogo AAA em desenvolvimento HOJE está planejando e desenvolvendo DLC desde o início do projeto, pra ser lançado 2 meses depois do disco na caixinha.

    Só discordo ligeiramente que isso seja ruim em todos os casos. O exemplo do New Vegas até acho justo pagar. Não importa que o DLC já estava em desenvolvimento enquanto o jogo principal era feito; ele ainda custou mais dinheiro aos desenvolvedores pra ser feito, e provavelmente esse conteúdo nem teria sido produzido se eles não soubessem que haveria dinheiro de DLC pra entrar devido a ele.

    A conversa seria totalmente diferente se esse conteúdo CLARAMENTE FIZESSE FALTA no jogo original. É o que acontece em outros casos que acho abusivos. Conteúdo a mais por dinheiro a mais, tudo bem pra mim. Mas ter que pagar um extra pela peça que veio faltando no quebra-cabeça, isso é que eu acho abusivo. E claro, estou descontando aqui o problema da competitividade, do jogo online, etc. que é outro discurso.

  12. Rubens Brilhante

    November 18, 2010 at 23:48

    Quando digo que “pode ser quebrar o jogo” é uma análise superficial estou dizendo que essa análise “pode ou não pode” da pra ser usado em qualquer coisa, e que é vago.Como disse até me lembrou a propaganda da Pepsi.

    Se vai ou não quebrar o jogo só saberemos quando for lançado. E como você mesmo disse não conheço nenhum caso parecido, pra comparar.

    Agora não havia nada no post dizendo que o conteúdo já estava dentro do jogo. Até reli pra ter certeza.

    Se isso já é fato então eu mudo minha opinião. E assim fica bem caracterizado o desrespeito ao consumidor. Falta de ética, “do mal”. (Mesmo assim não gosto do termo.)

    Se não fosse por esse fato eu não veria como falta de respeito com o consumidor. Só como uma má estratégia.

    Mas ainda acho que fui “criticado” de uma maneira não construtiva. Até porque a justificativa parece que é porque eu tive uma opinião contrária. É como eu percebi.

  13. Jão

    November 19, 2010 at 00:42

    Deixo a dupla do Penny Arcade comentar essa por mim:

    http://www.penny-arcade.com/comic/2010/5/19/

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