Como renovar uma Propriedade Intelectual

author: Artemis date: August 19, 2010 tags: , , ,

A Irrational Games a alguns dias atrás lançou um vídeo de teaser relacionado ao próximo jogo da franquia BioShock (que se você não viu deve estar morando numa caixa de fósforo! Mas eu te ajudo):

Bem, eu não sou nenhum fã de BioShock. Não gostei da jogabilidade do primeiro, mas se tem algo que sempre me impressionou nesse jogo foi o universo criado. A idéia de uma cidade submarina utópica entre as décadas de 40 a 60, totalmente decadente, poderes mágicos (genéticamente criados) e uma história complexa, são alguns dos principais ingredientes para esse cenário que chamou a atenção de muita gente, levando a maioria a comprar a segunda versão do jogo, BioShock 2, que não é tão boa quanto a anterior.

BioShock 2 não acrescentou muita coisa nova à esse universo, tivemos apenas o crescimento vertical, adicionando história à Rapture, sem expandir por fora dela, dando um pouco mais do mesmo que o jogador já havia experienciado.

Finalmente chegando ao terceiro episódio dessa série, com o teaser mostrado acima, conseguimos observar uma verdadeira aula de como mudar o cenário sem alterar a alma. Continuamos com a mesma linguagem, porém o “setting”, o cenário mudou completamente. Agora temos dirigíveis e cidades que ficam entre as nuvens. Aparentemente você é um personagem vivendo o exato momento em que a “queda” da cidade está acontecendo, assistindo inclusive o fim de sua “amada”; Mantensse ai o terror e a tensão conhecida dos jogos anteriores, mesmo modificando-se todo o resto.

Podemos dizer que essa poderia ter sido uma nova Propriedade Intelectual (ou IP)? Sim. Mas perder todos os fãs, compradores garantidos, valeria a pena? Provavelmente não. E utilizando-se desse pensamento a equipe da Irrational conseguiu articular essa renovação com maestria. Muda-se a história, mantensse esse espírito que segurou a todos durante a viagem por Rapture e que, provavelmente irá segurar através dessa nova viagem aérea.

cateogories: Game Design, Mercado, Produção

10 Responses to Como renovar uma Propriedade Intelectual

  1. Ivan Garde

    August 19, 2010 at 09:44

    Eu gostei bastante do Bioshock 1, não joguei o 2 e fiquie muito empolgado com o que vi para esse Infinite. Concordo com Artemis, pelo vídeo me parece um revamp de IP muito bem feito. Acho que jogos nãosão sobre histórias, não sobre personagens em si, jogos são a sensação que emerge no jogador enquanto interage com os espaços de possibilidades do jogo por meio das repetições permitidas pelo gameplay. Se esses sentimentos são mantidos, a IP está mantida. Por exemplo, acho que a característica que define a franquia Bioshock é a escolha que jogador faz entre salvar ou matar as Little Sisters e o modo como isso reflete no decorrer do jogo como um todo. Se esse tipo de coisas aléms dos sentimentos que o Artemis citou for mantido, a IP, na minha opinião está intacta

  2. Rafael Kuhnen

    August 19, 2010 at 10:05

    Eu sou fã incondicional de BioShock, do Ken Levine e da Irrational Games, mas acho muito cedo ainda pra dizer que a IP foi mantida com maestria. Convenhamos, nao dá de ver nada de gameplay pelo teaser trailer.

    Nao tenho duvidas de que vai ser um jogo excelente. Os jogos anteriores da Irrational falam por eles mesmos. Mas, IP hoje em dia é pouco mais do que o nome na caixinha pra vender mais, e acho que todos nós sabemos que a Take Two nao se importa muito em "manter a IP" (X-COM um FPS? Sério mesmo?).

  3. Leandro

    August 19, 2010 at 10:11

    Joguei o Bioshock 1 e o 2 e embora tenha gostado do tema e clima do jogo, não cheguei a terminar eles, sempre perdi o interesse durante o game. Mas concordo que realmente o revamp me deixou interessado no novo game, mas a não ser que hajam mais mudanças além da temática provavelmente não terminarei ele novamente :s

  4. Flavio Meibach

    August 19, 2010 at 10:45

    Isso aí. O princípio dos Final Fantasy aplicado aos FPS's. Aprovo! (o princípio, não os final Fantasy)

  5. Gilliard Lopes

    August 19, 2010 at 11:40

    Bioshock 1 na minha opinião foi mais uma demonstração do poder dos games como cultura. Já a versão 2 me pareceu só tirar mais leite da mesma vaca, tanto que foi desenvolvida por um outro estúdio (2K Marin) com pouca ou nenhuma participação do Ken Levine e do staff da Irrational.

    Ainda sobre Bioshock 1, achei que o gameplay não teve nada demais mesmo, e o sistema de escolhas que foi tão falado no início acabou não sendo muito bem realizado. Até mesmo Ken Levine admitiu que ficou um pouco decepcionado com as escolhas binárias, mas culpou o tempo curto que tiveram pra refinar o conceito e prometeu mais para o próximo game (nesse caso, Bioshock Infinite, e não Bioshock 2 obviamente).

    Apesar de tudo isso, Bioshock 1 deixou uma marca bem profunda em mim e em vários amigos que também jogaram, através da sua direção de arte, história, sonoplastia, ambientação e apresentação como um todo.

    Por isso acho que Ken Levine está no caminho certo para ter sucesso novamente com a franquia, pois acredito que esses paradigmas que fizeram o primeiro game ser tão marcante serão mantidos, com uma história diferente, background tão interessante quanto Rapture, e (espero!) gameplay e sistema de escolhas mais elaborado.

    Pergunta para continuar a discussão: vocês acham que um game pode ser considerado um grande marco da nossa indústria mesmo que seus pontos mais fortes não sejam gameplay em si, mas outros atributos como história, ambientação e apresentação?

  6. Rafael Kuhnen

    August 19, 2010 at 12:02

    Nao só acho que sim como acho que muitos dos grandes marcos na nossa industria ganharam o posto pela historia, ambientacao e apresentacao.

    Monkey Island? Full Throttle? Day of the Tentacle? Trilhoes de adventure games ja foram feitos, por que lembramos sempre dos mesmos?

    Final Fantasy acho que é o exemplo mais obvio. O gameplay muda pouquissimo entre um titulo e outro.. o que faz as pessoas lembrarem sao os personagens, a historia, os cenários.

    BioShock pra mim vez isso pelos FPS. Quem me conhece sabe que eu nao sou nenhum admirador de FPS, dificilmente jogo algum até o fim. BioShock pra mim foi perfeito, o clima, a sensacao de estar preso numa cidade submersa cheio de aberracoes em que cada porta que se abre eh algo novo. Eu acho que as escolhas nao sao tao binarias quanto matar ou nao as little sisters. Essa eh a escolha que muda a historia (e um pouco de gameplay, pra quem jogou), mas pra mim o que foi foda foi as possiveis misturas entre poderes, armas, planejamento usando robos, armadilhas, municoes… Ai ai.. obra de arte… :P

  7. Glauber

    August 19, 2010 at 12:03

    Isso aconteceu com a franquia Mega Man em 2001, quando lançaram Rockman.EXE para GameBoy Advance. Foi um salto e tanto, em termos de IP (que usava os mesmos personagens só que num contexto completamente diferente) e jogabilidade (de plataforma 2D foi para um filho bastardo de RPG, tabuleiro, ação e tempo-real).

    Por mais que eu não goste dessa divisão da franquia, não posso negar que, além da qualidade e inovação (de certa forma), conquistou públicos diferentes e, principalmente, mais novo (em idade). Foi uma jogada de mestre. E não é pra qualquer um, já que Metal Gear Ac!d nem chegou perto do sucesso feito por Solid.

    Curioso ver que Rockman.EXE deu certo pois, além de manter personagens icônicos com design renovado, deixou a "essência" da jogabilidade intacta: atirar em inimigos e usar da agilidade para se desempenhar melhor. Já Ac!d, mesmo mantendo os personagens e a atmosfera de espionagem, pouco deixou de sua jogabilidade tão marcante, transformando-o num card game. WTF.

  8. Glauber

    August 19, 2010 at 12:12

    … E acho o mesmo que o Rafael. Eu mesmo, acreditem ou não, só fui gostar de FPS por causa de Left 4 Dead.

    Mas acho que todos esses jogos que ele citou, no mínimo tem um gameplay sólido. Afinal, como eu já falei em outros lugares, eu não jogaria um jogo só pela história, caso a jogabilidade seja ruim. Não continuei Yakuza por causa disso.

  9. Flavio Meibach

    August 19, 2010 at 14:29

    Também acho possível a proposição do Gilliard, contanto que o gameplay seja minimamente sólido. Como você mesmo já definiu muito bem, Gilliard, Bioshock já fez isso muito bem. O

    conjunto da obra bem como a seleção de elementos de gameplay , não inovadores mas otimamente executados, criaram uma experiência memorável.

    Jogos como o Bioshock me fazem defender a experiência integral, e não só o gameplay nos jogos. O grande potencial dos video-games é a variedade de sensações e experiências que eles podem propiciar a um jogador. Não devemos desprezar nenhuma ferramenta que possa aumentar essa variedade.

    A coisa mais importante num filme é sua história? Livros já cumprem esse papel. Por que um video-game deve se limitar as ferramentas de jogos de tabuleiro?

  10. Gilliard Lopes

    August 19, 2010 at 16:55

    Valeu pelas respostas, pessoal. Tinha ficado implícito no meu último comentário que a minha opinião é a mesma do Rafa, do Rock(abilly)Man e do Flavio.

    @Flavio Muito bem colocado. "Experiência integral" pra mim é um dos indicadores de um game diferenciado.

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